cenografia para:

ensaio para o fim

qual será o som depois do fim?

teatro, criação de mariana rosário e eduardo guerra frazão no âmbito do mestrado em teatro da universidade de évora. estreia na comuna - teatro de pesquisa, lisboa em julho de 2016.

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fotografia de carlos almeida

 

pip, pip. ao segundo sinal tens meio dia. tens meio dia para tudo acabar.
o que é que é que vais fazer?
vais lutar? vais comer? continuar a trabalhar? telefonar a alguém?

pip, pip. ao segundo sinal tens 4 horas. tens 4 horas para tudo acabar.
talvez seja agora. partir da poeira. começar tudo de novo.
esperar que essa poeira não carregue em si a memória do que tudo isto foi um dia.
para que não voltemos a cair nos mesmo erros.

pip, pip. ao segundo sinal, tens meia hora para tudo acabar.
o que é que vais fazer?
vais chorar? vais gritar? vais correr?

será que ainda ninguém percebeu que falhámos….?
até quando não vão querer admitir que falhámos?
que mesmo que fechemos os olhos, tapemos os ouvidos, mudemos de canal,
não queiramos saber, os factos continuam lá e não vão deixar de existir.
falhámos e não há desculpas.

pip, pip. ao segundo sinal tens 5, tens 4, tens 3, 2, 1...

qual será o som depois do fim?

entre o realismo e a sugestão, 

nota sobre a cenografia de ensaio para o fim.

as características do personagem central de ensaio para o fim, enquanto habitante e construtor do lugar onde decorre a ação, definem os pressupostos para a construção de um espaço pautado pela sugestão de um contexto e a leitura de um passado, determinantes para a compreensão da narrativa e dramaturgia da obra. através da articulação entre a plasticidade e a disposição dos elementos cenográficos, o espaço com diferentes camadas e mensagens, que se pretendem não literais, contribuem para a compreensão da ação dramática e para a criação do envolvimento cenográfico.

marcado pela ausência cromática, o branco e o negro dos elementos cenográficos e do lugar teatral, refletem a atitude intransigente e inflexível do personagem perante o cataclismo do possível final, uma atitude e plasticidade que apenas se desvanecem na gradação de cinzentos presentes nas imagens fotográficas, reflexo da própria consciência e do olhar do personagem sobre o mundo.

cada vez mais presente, critica e autocrítica ao longo da ação, a consciência do personagem sobre o mundo é representada pela informação presente nas fotografias, que para além de preencherem gradualmente o espaço, surgem de forma permanente nos vidros / molduras de uma janela / clarabóia, reflexo do olhar do personagem sobre o mundo. um manto de imagens, uma rede no limite de deixar de o ser, onde se unem as realidades registadas pelo olhar e pelo filtro da objetiva do personagem. uma janela / clarabóia, que limita o olhar sobre a realidade em que vivemos, num mundo ausente de cor. a cor apenas surge na bola de basquetebol - sugestão e símbolo da possibilidade de acertar ou não, de encestar ou falhar sobre a indecisão de aceitar o final que se aproxima.

na relação entre a sugestão e o realismo, o espaço determina-se através do acumular das memórias do personagem, esse mundo fotografado e real que completa um lugar onde a contemporaneidade dos elementos cenográficos transporta o espectador para a um local próximo de si próprio e das molduras que enquadram os nossos dias, frágeis e pesados, suspensos por fios de crochê, prontos a romper e voláteis como o vapor com cheiro a café.

hugo f. matos

+ sobre:

"o papel do encenador no processo de cocriação de um espetáculo" de mariana rosário

trabalho de projecto, orientado ple professora doutora isabel maria bezelga, no âmbito do mestrado em teatro,

especialização ator/encenador da universidade de évora.

"possibilidades e limites, o potencial do actor/criador no processo inerente à criação colectiva" de eduardo guerra frazão 

trabalho de projecto, orientado ple professora doutora isabel maria bezelga, no âmbito do mestrado em teatro,

especialização ator/encenador da universidade de évora.