cenografia, figurinos e desenho de luz para:

o pecado de joão agonia

... abate-se... um animal desses abate-se!...

bernardo santareno

teatro com encenação de pedro filipe oliveria para o teatro do azeite. estreia no teatro sá da bandeira, santarém em novembro de 2009.

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na tragédia “o pecado de joão agonia” encontra-se uma estética em que o realismo das personagens (claramente associadas aos temas do realismo e neo-realismo), através da sua linguagem rude e trivial, escondendo nas entrelinhas toda a narrativa, não só no que não se é dito e no que não se vê, mas também através dos seus símbolos (o meio-lobo meio-cão, a serra como plano elevado, a lua, a neve, os olhos verdes). a ambiguidade que todo este simbolismo instalada é tão impressionantemente forte como a temática da peça. não se trata de uma apologia à homossexualidade ou de um apelo à sua tolerância. a reacção àquela situação é que é questionável, levantando inúmeras interrogações de ordem ética e moral que são debatidas actualmente na sociedade portuguesa.

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se a homossexualidade de joão agonia acaba por ser uma opção, não sabemos, o que é certo é que joão nunca mais se livrará dela e que esta foi sem dúvida despertada violentamente por parte do seu padrinho e dos seus colegas de tropa. rita ao comparar o nascimento de um cabritinho cego com o nascimento de joão, está a denunciar que o destino de joão estava marcado à nascença (à boa maneira da tragédia grega). na primeira cena rita diz: "quando o joão nasceu, o ar daquele quarto ficou todo verde...verdes eram as lágrimas da minha aflição e o suor me retalhavam toda (as mãos no ventre). e verde ficou a primeira água em que lavaram o menino!!?..." é pois, um semi-deus enredado nas malhas da podridão humana. no assassínio de joão existe uma tentativa dos seus autores de livrar o espírito sublime de joão do seu corpo, vítima do carácter errante da realidade.

josé – quando um cavalo, ou um cão, que a gente estime, que traga no coração, dá uma queda e parte os ossos grandes, ou quando apanha chaga ruim e sem cura... que é que a gente faz, mano miguel? [...]
josé – abate-se... um animal desses abate-se!...
carlos – [...] por bem querer, miguel, por amor!...

pedro filipe oliveira